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quarta-feira, 28 de março de 2012

“Eu só queria ter nascido em Imperatriz”

Marco Aurélio da Silva Azevedo é o Marco Aurélio do Teorema, como é conhecido. O dono de um dos cursinhos pré-vestibulares da cidade teve como ‘primeiro emprego’ vender abacates, aos seis anos de idade. “Eu tinha seis anos de idade e lembro do dia em que cheguei pra minha mãe - nós tínhamos um abacateiro muito grande no quintal - e eu pedi pra ela deixar eu vender abacate. Coloquei três em uma bacia e sai vendendo na rua de casa. Foi a primeira ideia. Não foi difícil vender porque as pessoas eram solidárias”.

Nascido em Conceição do Araguaia, no Pará, Marco tem hoje 32 anos de idade e 15 de Imperatriz, cidade que escolheu como abrigo aos 17 com o sonho de fazer e passar em um vestibular. “Sai de Goianésia do Pará quando terminei o 3º ano, e hoje tenho a oportunidade de ser proprietário de um pré-vestibular”. Antes de deixar o estado de origem, Marco precisou vender pastel, picolé, geladim, coxinha, foi engraxate e jornaleiro .

“Minha mãe era costureira, dava pra nos oferecer o básico e eu me sentia na obrigação de ajudá-la. Meus irmãos faziam geladim pra gente consumir e de repente eu aprendi fazer, pedi pra mãe e ela me deixou vender. Me tornei um grande vendedor de geladim. Só não podia dizer que era eu quem fazia, senão ninguém comprava. Eu dizia que era mamãe quem fazia. Aprendi a ser empreendedor nessa época, eu tinha um sonho de comprar uma bicicleta, uma BMX Monark, a ‘marca da fera!’. Quando consegui, tinha meus 14 anos de idade”.

Também não encontrou facilidades quando decidiu vir morar em Imperatriz. O cursinho onde pretendia estudar cobrava R$ 90 e a mãe de Marco Aurélio podia pagar apenas R$ 50. “Cheguei na Câmara de Vereadores de Goianésia do Pará pedindo ajuda aos vereadores para me manter aqui, mas não consegui apoio”. Veio apenas com a coragem e com uma semana na cidade conseguiu uma aluna de reforço. “Foi como eu consegui pagar o cursinho”. Estudava 12 horas por dia, morava na Vila Redenção II, na casa de uma prima, e vinha todos os dias a pé para o centro. Cerca de nove meses depois veio o resultado: Marco estava aprovado em um vestibular para matemática. “Passei em outros, mas escolhi ser professor. É a profissão que eu me orgulho a desenvolver todos os dias da minha vida”.

Entrou para vida política em 2004 quando foi candidato a vice-prefeito no grupo do Major Melo. Em 2010 foi candidato a deputado estadual. “Cheguei em Imperatriz apenas com sonhos na bagagem, hoje Deus e essa cidade me permitiram alcançar muito mais do que sonhamos. Eu só queria ter nascido em Imperatriz (...)”.

Uma mensagem: “tentar não significa conseguir, mas todos os que conseguiram certamente tentaram. Vale no vestibular, vale no concurso, vale na vida”.

Por Hemerson Pinto - Jornal Correio Popular
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